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O filme da minha vida: olhar poético de Selton Mello a drama familiar
Baseado no livro Um pai de cinema de Antonio Skármeta, trama traz as agruras de um jovem que ao voltar pra casa depois de se formar sabe que o pai abandonou a família. Ele quer desvendar este mistério
15/08/2017

Fotos: divulgação

Partindo do romance Um pai de cinema, do escritor chileno Antonio Skármeta, o ator e diretor Selton Mello construiu uma história sensível, tocante e de extrema poesia. Em O filme da minha vida, a trama gira em torno do jovem Tony, vivido por Johnny Massaro, filho do francês Nicolas, interpretado por Vincent Cassel, e da gaúcha Sofia (Ondina Clais Castilho); o rapaz, ao voltar a sua terra natal, Remanso, uma cidadezinha na serra gaúcha, depois de se tornar professor, tem a notícia que o pai acabara de abandonar a família.
Sem entender o que aconteceu e em meio às dúvidas e aos conflitos juvenis, Tony recomeça sua vida dando aula de francês na escola do vilarejo, mas deseja desvendar todo o mistério da família. Com o lavrador Paco, papel de Selton Mello, ele tenta substituir a figura do pai, tornando-se seu confidente.

Com roteiro escrito em parceria entre o diretor e Marcelo Vindicatto e a bela fotografia de Walter Carvalho, o filme — que se passa no fim dos anos 1950 e início dos anos 1960 — começa com Tony contando em off sua história, enquanto cenas de sua infância e adolescência, ao lado do pai, são exibidas. O rapaz assume sua cátedra no colégio e logo se deslumbra com as garotas, principalmente por Luna, vivida por Bruna Linzmeyer, e por sua irmã mais velha, Petra (Bia Arantes). No en tanto, a falta do pai ainda o perturba e ele deseja desvendar todo aquele mistério. Tenta, sem sucesso, fazer com que a mãe lhe conte o que provocou a atitude do pai; apela então a Paco, que procura incentivá-lo a esquecer do passado e tocar a vida. Fascinado por cinema e ansioso em perder a virgindade, Tony convence Paco a levá-lo à cidade vizinha para ir ao prostíbulo e, de quebra, ir ao cinema, quer assistir o western de Howard Hawks, Rio Vermelho/1948. Mal sabia que aquela viagem iria transformar completamente seu destino.

O diretor imprime um ritmo lento e delicado para desenvolver o roteiro e, em determinado momento, o espectador percebe o significado do título: cada fotograma compõe a história de Tony, o filme da vida daquele rapaz — como Selton dedica sua obra aos pais, pode-se inferir que este é o filme da vida dele!
Saí da sala de exibição em estado de graça, emocionado com a maneira poética de se contar uma história familiar. Difícil salientar algum elemento do filme: roteiro, fotografia, direção de arte, figurino, trilha sonora e interpretação, tudo impecável. E outra marca do diretor se repete: em O Palhaço/2011, Selton, além de dar o protagonismo ao veterano Paulo José, criou um takeespecialmente a Moacir Franco, que foi inclusive reconhecido com prêmio. Desta vez, o diretor escolheu Rolando Boldrin para viver o maquinista Giuseppe, que em uma única cena transmite a grandiosidade e a importância do personagem à narrativa.

Num momento em que vivemos tanto dissabor diante do desgoverno dos dirigentes (no Brasil e no mundo), a poesia deste filme traz alegria e revigora as energias. 

Acesse meu blog: www.favodomellone.com.br

 

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