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Como nossos pais: filme de Laís Bodanzky discute relações familiares
Com seis Kikitos no último Festival de Gramado, trama, a partir da revelação de um segredo, revoluciona a vida de uma família. Com Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra e Paulo Vilhena nos papéis centrais
06/09/2017

Fotos: divulgação

Vencedor de seis troféus Kikitos no último Festival de Cinema de Gramado — filme, direção, atriz, ator, atriz coadjuvante e montagem —, Como nossos pais, filme da diretora Laís Bodanzky, discute as relações de uma família contemporânea a partir de uma revelação de um segredo. O foco central da discussão é a difícil relação entre mãe e filha, vividas por Clarisse Abujamra e Maria Ribeiro.

Logo na primeira cena, um tradicional almoço de domingo com toda a família, Rosa (Maria) que está em crise conjugal com Dado, vivido por Paulo Vilhena, dá umas alfinetadas no marido e Clarice (Clarisse) toma as dores do genro; a discussão tem início e Clarice abre o jogo, de forma direta e ríspida. Confessa que teve um caso extraconjugal e Rosa é fruto desta relação. Pronto, esta revelação cai como uma bomba na família e Rosa, que já vivia frustrada tanto emocional como profissionalmente, entra em crise e resolve se reinventar.

A partir do segredo revelado é que o roteiro — assinado pela diretora em parceria com Luiz Bolognesi  — se desenvolve. Rosa a princípio pede apoio do irmão José Carlos (Cazé Peçanha), mas é com a mãe que tem outra conversa definitiva. Quer ao menos conhecer seu pai biológico e, aos trancos e barrancos, vai reconstruindo sua relação afetiva com Clarice. Com Dado é a mesma coisa: Rosa exige uma mudança de atitude dele, tanto com as filhas como na vida a dois. E em determinado momento ela chega a confessar suas limitações e a dificuldade em ter de segurar todas as barras da família. Há ainda a questão de como lidar com Homer o, vivido por Jorge Mautner: Rosa tenta falar a verdade com o pai que a criou, mas ele (um artista plástico alternativo) vive num mundo à parte, longe da realidade e ela desiste.

Em função de sua crise existencial, Rosa também questiona sua profissão, sua verdadeira vocação, além que checar seus sentimentos amorosos, afetivos e sua visão de mundo. Mais do que um filme feminista, Laís em Como nossos pais toca em temas pungentes da sociedade contemporânea, como o papel da mulher e do homem na vida conjugal, além de ajudar a refletir sobre questões comportamentais como traição, fidelidade, ciúme, poliamor e relações homoafetivas.
Por tocar em temas tão íntimos, a diretora optou filmar principalmente em locações internas (o apartamento do casal, a casa e o jardim de Clarice), deixando as externas somente para cenas importantes para a narrativa, como o impessoal gabinete do senador, pai biológico de Rosa, vivido por Herson Capri e as cenas de Rosa e Pedro (Felipe Rocha), pai de um coleguinha de escola das filhas dela.

Além do roteiro bem articulado e a direção focada nos atores, o destaque do filme é mesmo para a performance e a sintonia entre Maria Ribeiro (o grande papel de sua carreira)  e Clarisse Abujamra ( a cena final de sua personagem é emocionante). Vilhena também surpreende desempenhando as funções do pai do século XXI e Mautner encanta com sua pequena, mas fundamental participação. O filme é merecedor de todos os prêmios já recebidos e daqueles que ainda virão. E com filmes brasileiros é sempre bom ressaltar: vá assistir logo nas primeiras semanas para que a produção possa garantir mais tempo em cartaz.

 

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