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Canastra Suja: filme faz radiografia de uma família suburbana carioca
Com roteiro e direção de Caio Sóh, trama mostra as dificuldades de convivência entre os membros de uma família do subúrbio carioca. Com Marco Ricca, Adriana Esteves e Bianca Bin nos papéis centrais
27/06/2018

Foto: divulgação

Escrito e dirigido por Caio Sóh, o filme Canastra Suja, que acaba de estrear, faz uma verdadeira radiografia de uma família do subúrbio do Rio de Janeiro nos dias atuais, evidenciando as dificuldades de convivência e relacionamento entre todos os membros. O chefe da casa Batista, interpretado por Marco Ricca, é manobrista de um edifício de luxo, sofre de alcoolismo e não consegue manter o equilíbrio nas relações com a mulher, Maria vivida por Adriana Esteves, e os três filhos, Emília, papel de Bianca Bin, Pedro (Pedro Nercessian) e a caçula Ritinha (Cacá Ottoni)que tem problemas mentais.
 
A mãe se desdobra para evitar os atritos entre o marido e o filho (que está desempregado), e para compensar a solidão e o tédio de ficar em casa pra cuidar de tudo e da menina doente, se vicia em exercícios físicos e anabolizantes. Já Emília sente-se responsável pela irmã e mantém um duplo relacionamento, com o namorado Tutu (David Júnior) e com o dentista (João Vancini), seu chefe.

O prólogo do filme é com um passeio de câmera, que da rua entra para o interior da casa da família, passando pelos cômodos e pelas pessoas — a cena se repete no final, desvendando mistérios e enigmas da história.

A trama praticamente tem início com a ida de Batista à primeira reunião dos Alcoólicos Anônimos, enquanto a família o espera ansiosamente na rua. No entanto, Pedro não tem paciência e vai embora antes, motivo de mais uma briga entre ele e o pai. A partir daí o espectador percebe o clima reinante dentro daquela casa: não há diálogo, as coisas são ditas pela metade e o que ressalta são gritos e agressões. Cada um procura resolver seus problemas individualmente, mesmo mantendo uma aparente união familiar. Pedro, por exemplo, não suportando a situação em casa, pede ajuda de Tutu, que ultimamente está sempre com dinheiro; o namorado de Emília tenta omitir sua real profissão, mas, graças à insistência do amigo, revela fazer programa. Pedro a princípio rechaça a ideia de se prostituir, mas resolve te ntar seguir os passos do amigo. Já Emília não sabe decidir com quem deve se casar e um acontecimento em seu dia a dia irá transformar profundamente a vida de todos.

O olhar imparcial para o interior daquele grupo familiar, que está à beira da ruína, é o que chama a atenção no filme. Ao fazer um perfil desta família, o diretor toca em temas sensíveis da sociedade brasileira contemporânea, como violência doméstica, preconceito e diferenças sociais, vícios (alcoolismo e substâncias químicas) e prostituição. Como Caio Sóh se utiliza de recursos que omitem fatos e os próprios personagens não falam abertamente o que acontece em suas vidas, o espectador fica preso ao desenrolar da trama e só ao final consegue montar o quebra-cabeça da história daquela família. Esta rica dubiedade só é possível graças à interpretação dos atores: tanto Bianca Bin como Pedro Nercessian (estreantes no cinema) consegue m transmitir dúvidas e incertezas de seus personagens e os veteranos Ricca e Adriana (talvez até por já terem sido casados na vida real) esbanjam sintonia e entrega para aquele casal conflituoso. Destaque também para a trilha sonora assinada por Maria Gadu. Confira! 

Fotos: divulgação

 

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